Contraponto ao Artigo “As Origens do Mal” publicado na Revista Carta na Escola

Publicado: 22 de fevereiro de 2011 em Notícias e política

Veja a íntegra do Artigo: As Origens do Mal e o nosso contraponto a seguir:

Os frequentes atos extremistas que assolam o Oriente Médio remetem à pergunta: hoje palco de tamanha violência, por que Jerusalém foi há pouco mais de um século lugar de convivência respeitosa entre judeus, muçulmanos e cristãos? Devemos considerar que até então a cidade encontrava-se sob a tutela do império turco-otomano, cujo califa de outrora, o sultão Osman III, através de um edito de 1757, delimitou muito bem os direitos e competências de cada religião que entendia ser sua a sagrada Jerusalém. As maiores confusões ficavam por conta dos cristãos, particularmente durante a Páscoa, quando a boa convivência dava lugar a vergonhosos acirramentos entre gregos ortodoxos, católicos armênios, coptas egípcios, maronitas sírios e outras comunidades cristãs. Mas, no geral, a convivência era boa e pautada pela tolerância, salvo excessos eventuais. Certa vez, entrevistei um octogenário palestino que me disse ser um judeu o melhor amigo de seu pai. Vizinhos, era -comum caminharem juntos pelas ruas da Palestina; seu pai virava à esquerda e entrava na mesquita, o amigo à direita para a sinagoga. Finalizadas as orações, encontravam-se na saída e continuavam o passeio. Essa utópica cena para os dias de hoje foi fato um dia na Terra Santa.

Não obstante celeumas ideológicas, é quase impossível não atribuir ao imperialismo europeu (logo, ao capitalismo), o barril de pólvora em que se transformou o Oriente Médio. O desarranjo lógico do território forjou ali as mais es-drúxulas unidades sem o mínimo lastro histórico-geográfico que justificasse a existência de certos países, em particular às margens do Golfo Pérsico, mas também nas areias do deserto. Fronteiras mal formuladas construíram gradativamente o clima de tensão que hoje se abate na região. A tensão evoluiu para violência na segunda metade do século XX, cujas três últimas décadas assistiram ao surgimento de um novo fenômeno: o fundamentalismo.

INTOLERÂNCIA: FENÔMENO DO SÉCULO XX
Quem matou o Mahatma Gandhi? Quem matou Yitzhak Rabin? Quem matou Anwar Sadat? Cada um desses líderes foi morto pelo fundamentalismo intrínseco à sua própria religião.

Apesar de litígios religiosos serem antiquíssimos, é no século XX que o extremismo torna-se fenômeno comum. Temos notícias de atentados religiosos desde o fim do século XIX, quando a Irmandade Muçulmana lutava contra o domínio britânico no Egito. Mas o parâmetro contemporâneo para aquilo que se convencionou designar como “fundamentalismo” podemos encontrar na Revolução Islâmica de 1979, quando o Irã converteu-se em uma teocracia xiita.

Contudo, é no cristianismo que residem os primórdios do fundamentalismo. Suas raízes estão ligadas ao protestantismo cristão norte-americano do século XIX, cuja leitura literal e dogmática da Bíblia difundia a crença de uma supremacia cristã e a não aceitação de outras verdades religiosas, fundamentos que tanto contribuíram para a formação da cultura Wasp (White, Anglo-Saxon and Protestant ou Branco, Anglo-Saxão e Protestante). Líderes norte-americanos passaram a se inspirar nesses preceitos para a orientação do modo de vida, num claro enfrentamento com a modernização da sociedade. Nessa linha, o homem deve pautar-se numa leitura ortodoxa da palavra de Deus, o Ser infalível que orienta todo o modus vivendi da sociedade. Para os fundamentalistas, qualquer interpretação da vida que não encontre uma justificativa bíblica deve ser refutada. A Bíblia não deve ser interpretada, como fazem os teólogos mais progressistas, mas simplesmente obedecida, pois é a verdadeira palavra de Deus: basta segui-la. A História, a Geografia e, principalmente, a Biologia nada acrescentam ao conhecimento. O evolucionismo deve ser banido como teoria e ser substituído plenamente pelo criacionismo – esta, sim, uma teoria embasada na palavra divina. O fundamentalismo consiste nesse comportamento de obediência extrema a um credo religioso, que não aceita conviver com outra perspectiva ou forma de explicação da vida. Há uma única verdade: Deus.

Na perspectiva fanática, portanto, a crença do outro está equivocada. Acontece que, quando o outro pensa da mesma forma, aflora a intolerância e a coexistência torna-se impossível. Resultado: conflitos e mortes. A origem disso é cristã, mas, nos dias de hoje, é o fundamentalismo islâmico o mais atuante de todos e seus feitos, os mais impressionantes.

O fundamentalismo é um movimento reacionário, pois pretende um retorno- aos valores tradicionais que fundamentam sua crença, numa clara oposição ao secularismo e à modernidade. A emergente Índia, por exemplo, candidata à condição de potência econômica nos anos vindouros, tem no combate ao extremismo religioso interno seu maior desafio. O Partido do Congresso, laico, tenta, a duras penas, construir uma nação secular, mas o oposicionista Barhatya Janart Party (BJP), de orientação fundamentalista hindu e que já governou nos anos 1990, luta por uma Índia teocrática, caminhando no sentido contrário e investindo na supremacia bramanista perante uma minoria muçulmana de mais de 150 milhões de habitantes. A atmosfera indiana é de pura tensão.

Tendo como grande ícone a Revolução Islâmica, a opção fundamentalista não ficou restrita ao xiismo; inclusive, nos dias de hoje, é na vertente do sunismo que temos os principais grupos atuando. A falta de atenção, no entanto, pode levar muitos a incorrer no mais comum dos erros: a confusão entre islamismo e fundamentalismo, visto que o noticiário pouco contribui ao discernimento das diferenças, podendo levar a entender o extremismo religioso como circunscrito ao islamismo. Sobre o significado da palavra Islã, o xeque Jihad Hassan Hammadeh, vice-presidente da Assembleia Mundial da Juventude Islâmica, uma das maiores autoridades brasileiras no assunto, informa que “islã”, na língua árabe, deriva da palavra “salam”, que significa paz, portanto, a essência da religião islâmica é a paz, seu alicerce é a paz, por isso é que a definição de islam é: submissão total e voluntária a Deus Único, então quem é voluntário a Deus deve praticar o que Ele ordena, que é a justiça, a paz, o amor, a solidariedade etc. Quanto à violência, a religião islâmica proíbe qualquer ato de injustiça contra qualquer ser e inclui também a agressão contra o meio ambiente. Deus disse no Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos): “E quem tirar uma vida inocente é como se tivesse assassinado toda a Humanidade, e quem salvá-la é como se tivesse salvado toda a Humanidade”, portanto, o muçulmano é proibido de cometer qualquer ato de agressão injusta, dando-lhe, somente, o direito à legítima defesa, que é direito de qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo e em todas as religiões. Deus disse no Alcorão Sagrado: “E se punirem,- que punam da mesma forma como foram punidos,- e quem tiver paciência, é melhor para os pacientes”.

Alguns estudiosos do Islã afirmam ser equivocada a expressão “fundamentalismo” para designar os atos extremistas que marcaram o fim do século XX. Em sua concepção, o termo é totalmente infeliz, uma vez que se faz uma adaptação da realidade cristã à islâmica. Tal analogia é então descabida, pois as escolas de filiação religiosa são distintas. Enquanto no cristianismo a interpretação do fundamentalismo é visceralmente conservadora, antimodernista e arraigada aos valores tradicionais da Bíblia, no Islã, dá-se o contrário. Logo, o que vemos e classificamos hoje como fundamentalismo islâmico é exatamente o oposto daquilo que pregam os verdadeiros estudos dos fundamentos do Islã. Regimes como o iraniano ou o que era vigente até há pouco tempo no Afeganistão seguem o oposto daquilo que seriam os “fundamentos do Islã.”

Edilson Adão Cândido da Silva é mestre em Ciências pela USP, autor de Oriente Médio: A Gênese das Fronteiras (Editora Zapt) e professor de Geopolítica e Teoria das Relações Internacionais no Ensino Superior

Artigo disponível no link:

http://www.cartacapital.com.br/carta-na-escola/as-origens-do-mal/comment-page-2#comment-55828

Nosso Contraponto:

Caro Professor,

As causas do que vemos hoje na Palestina e em outras regiões do Oriente Médio, residem sim, na intolerância, mas não na de origem religiosa, pois não foram os membros de comunidades cristãs pacíficas, ou mesmo missionários cristãos, os que COBIÇARAM o alheio.

Aliás, o alvo da mensagem do evangelho é a salvação de vidas, lhes proporcionando a verdadeira paz, que reside em todo aquele que se encontra com Cristo Jesus.

Aqueles que o artigo chama de “cristãos” na verdade se enquadram no rol dos que clamam: “Senhor, Senhor, mas seu coração está longe de Min”. São os missionários de seus próprio egoísmo, que os leva a tudo fazerem para se apossarem daquilo que não construíram e que não lhes é de direito.

Se o Oriente Médio decidisse viver em Paz, o que seria dos fabricantes de armamento militar? Como ficariam os contratos milionários de “reconstrução” das regiões destruídas pela guerra? Isto para dizer o mínimo…

Não se combate o “mal”, mas unicamente se luta pela hegemonia sobre populações inteiras e pelos recursos existentes nesta região do mundo.

A Paz não é conveniente para a livre concorrência que os oligopólios tanto combatem. A Paz não é “estratégica” para uma região que possuindo tantos recursos naturais, logo se tornaria a nova potência econômica global, lançando sua sombra sobre tantos interesses escusos, ditos “globais”.

Então semear essa tentativa da repetição da “confusão das línguas” em meio aos povos do Oriente Médio, é na verdade, garantir que a Torre de sua civilização não seja construída, e assim, não ofusque os interesses mesquinhos que residem naqueles que detém o poder em nosso mundo.

A crise do Oriente Médio, nada tem haver com a mensagem contida na Bíblia, muito menos com sua interpretação, ou com os cristãos, ou mesmo com o Islã, tem haver com poder, controle, hegemonia, cobiça, tanto dos líderes do ocidente quanto dos líderes do oriente.

Alguêm aí acredita mesmo que ingleses, franceses, americanos, russos e tantos outros, foram até o Oriente Médio preocupados com o proselitismo religioso? Tenha dó!

Enquanto a Paz for o fator essencial para que os povos do Oriente Médio vivam felizes e possam prosperar, usufruindo dos recursos naturais ali existentes e assim construam uma civilização próspera, em detrimento dos sangue sugas do resto do mundo, os incentivos e financiamentos para o uso de armas, fabricação de bombas, treinamento de milícias paramilitares, formação de terroristas e de todo tipo de agente de destruição e fomento do ódio tendo como pano de fundo a conveniente justificativa dos preceitos da religião, da Bíblia, do Alcorão, do Cristianismo e do Islã, irão se perpetuar.

Isto sim, é estratégico, não para a Paz, muito menos para o Cristianismo ou para a Teologia e suas escolas de interpretação, é estratégico sim, para aqueles que habilmente manipulam as cordas da política global, das finanças mundiais e principalmente da força bélica e poder de polícia residente nos países de economias mais desenvolvidas.

Agora, simplesmente fundamentar tudo isto em torno da religião do ocidente, e mais ainda, na interpretação da Bíblia, é prosseguir com o eco e a ilusão que se vem apresentando ao público desde sempre, é dar falsa luz aos pseudomotivos para uma guerra sem sentido, baseada na alimentação contínua do ódio mútuo, daqueles que na verdade são vítimas, e estas estão tanto de um lado quanto do outro da trincheira existente entre ocidente e oriente, entre religião e religião, cultura e cultura, civilização e civilização.

Esconder os verdadeiros motivos acusando e apontando a religião como a grande fomentadora das hostilidades e beligerãncias, é também estratégico, e por que não dizer, conveniente…

Apontemos os grandes interesses comerciais e econômicos globais, esses sim, atuam e não pedem a ninguêm consentimento ou permissão. Aí sim, está a “Origem do Mal”.

Na sanha transloucada por “crescimento econômico” a qualquer custo, sejam de vidas, ambiente natural, guerras, ditaduras, torturas, manipulação, e todas as artimanhas que buscam esconder a sede daqueles que desmedidamente querem mais e mais, sugando tudo e todos a sua volta, sem nunca se satisfazerem ou saciarem sua fome por recursos, poder e influência.

Por falar em provérbio, professor que tal este: “O pior cego é aquele que não quer vê”.

Por falar em religião cristã e interpretação das palavras contidas no evangelho, que é na palavras do Apóstolo Paulo em sua Carta aos Romanos: “o poder de Deus para a Salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. Por que nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito, mas o justo viverá da fé”, vale lembrar a essência do que Jesus Cristo no ensinou, no disposto ao convívio global:

“Deixo-vos um novo mandamento, que vos amei, assim como Eu vos tenho amado.” (Jesus Cristo)

Edimilson Marinho

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