O UNIVERSO DO COSMO

Publicado: 16 de dezembro de 2010 em Evangelismo

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Os Salmos da Criação
(Salmos 8, 33)
por Dan Petty

Salmos 33

Salmo 33:  Louvando a Deus como Criador e Soberano

Exultai, ó justos, no SENHOR! Aos retos fica bem louvá-lo.

Celebrai o SENHOR com harpa, louvai-o com cânticos no saltério de dez cordas.

Entoai-lhe novo cântico, tangei com arte e com júbilo.

Porque a palavra do SENHOR é reta, e todo o seu proceder é fiel.

Ele ama a justiça e o direito; a terra está cheia da bondade do SENHOR.

Os céus por sua palavra se fizeram, e, pelo sopro de sua boca, o exército deles.

Ele ajunta em montão as águas do mar; e em reservatório encerra as grandes vagas.

Tema ao SENHOR toda a terra, temam-no todos os habitantes do mundo.

Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a existir.

O SENHOR frustra os desígnios das nações e anula os intentos dos povos.

O conselho do SENHOR dura para sempre; os desígnios do seu coração, por todas as gerações.

Feliz a nação cujo Deus é o SENHOR, e o povo que ele escolheu para sua herança.

O SENHOR olha dos céus; vê todos os filhos dos homens;

do lugar de sua morada, observa todos os moradores da terra,

ele, que forma o coração de todos eles, que contempla todas as suas obras.

Não há rei que se salve com o poder dos seus exércitos; nem por sua muita força se livra o valente.

O cavalo não garante vitória; a despeito de sua grande força, a ninguém pode livrar.

Eis que os olhos do SENHOR estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia,

para livrar-lhes a alma da morte, e, no tempo da fome, conservar-lhes a vida.

Nossa alma espera no SENHOR, nosso auxílio e escudo.

Nele, o nosso coração se alegra, pois confiamos no seu santo nome.

Seja sobre nós, SENHOR, a tua misericórdia, como de ti esperamos.

Este hino triunfante abre com um chamado aos santos do Senhor para dar louvor a ele pela sua palavra e obra (33:1-4).  Eles devem usar todos os meios de expressão possíveis e adorá-lo com júbilo (33:3).  De tal adoração é digno alguém que é retratado por tais qualidades morais como, “fidelidade”, “retidão”, “justiça” e “bondade” (33:4-5).

Saber que tudo o que existe veio a ser criado do nada pela ordem de Deus é ser confrontado com a pura criação, e só por isso que Deus merece todo o louvor (Salmo 148:5; Hebreus 11:3).  Em linguagem figurada, o salmista descreve a obra criadora de Deus fazendo os oceanos, tão sem esforço como alguém encheria um jarro com água ou um depósito de água num “reservatório” (33:7; Gênesis 1:9-10).  Ele simplesmente “falou, e tudo se fez” (33:9).  Portanto, todos os habitantes da terra deveriam estar cheios de reverência e temor de sua poderosa força (33:8).

Deus é mais para sua criação do que seu Criador.  Ele também é o rei soberano, dominando todos os negócios dos homens.  Povos e nações e sua sabedoria ou servem os propósitos imutáveis de Deus ou acabam em nada (33:10-12; veja Isaías 44:25-28; 45:4-13).  Mas ele abençoa a nação que o serve.

Esta verdade é baseada no fato que Deus vê toda a atividade humana e, sendo o Criador dos homens, entende todos os planos e motivos humanos (33:13-15).  Tal percepção deveria lembrar-nos de que, como Deus é nosso Criador, ele também é aquele que julga até “os pensamentos e propósitos do coração” (Hebreus 4:12-13).

Nada pode salvar um homem ou uma nação, nem mesmo um poderoso exército ou grande força (33:16-17), fora de Deus.  Mas para aqueles que temem a Deus e confiam nele, ele é “nosso auxílio e escudo” (33:18-22), e louvamos nosso Criador como um Deus de benevolência.

Salmos 8

Salmo 8:  O Que é o Homem?

Ó SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome! Pois expuseste nos céus a tua majestade.

Da boca de pequeninos e crianças de peito suscitaste força, por causa dos teus adversários, para fazeres emudecer o inimigo e o vingador.

Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste,

que é o homem, que dele te lembres E o filho do homem, que o visites?

Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste.

Deste-lhe domínio sobre as obras da tua mão e sob seus pés tudo lhe puseste:

ovelhas e bois, todos, e também os animais do campo;

as aves do céu, e os peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas dos mares.

Ó SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome!

“Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome!” Assim começa e termina o Salmo 8, o cântico de Davi em louvor a Jeová. Esta declaração de abertura e fechamento é o tema principal do salmo, e Davi vê a evidência da majestade de Deus manifestada em sua criação ­ tanto do universo como do homem. É uma verdade refletida por outros salmos de Davi (19:1), pelos escritores do Novo Testamento (Romanos 1:20), e por muitas pessoas ponderadas e prudentes que consideraram os céus e a terra a evidência do propósito, poder e sabedoria neles refletida (Jó 12:7-9; Jeremias 5:21-25).

A sabedoria e o poder de Deus são manifestados quando se observa a maravilha de um recém-nascido não menos do que quando se maravilha com a vastidão do espaço e as incontáveis estrelas (8:1-2).  Este paradoxo é a mensagem do salmo inteiro.  A primeira impressão sugeriria a pequenez e relativa insignificância do homem em comparação com os céus, a intrincada e artística obra dos “dedos” de Deus (8:3).  “Que é o homem, que dele te lembres?” (8:4). A pergunta é uma expressão de assombro: que Jeová, o criador de tal esplendor, se preocuparia com ele e o atenderia

Entretanto, a pergunta já aponta para sua resposta, pois qual outro ser em toda a criação de Deus tem o conhecimento até para fazer tal pergunta?  Na verdade, o homem não se encontra embaixo do resto da criação, mas acima dela.  Criado à imagem de Deus (Gênesis 1:26), o homem foi feito um pouco abaixo de Deus e, assim, é a coroa de glória da grande criação de Deus (8:5).

O “status” especial do homem entre todas as criaturas de Deus dá-lhe uma dignidade não igualada por qualquer outra criatura.  Deus colocou o homem nessa posição, e coroou-o com glória e honra (8:5). O Criador também dotou o homem com o direito de domínio sobre sua criação (Gênesis 1:26-28).  Assim o homem foi incumbido de uma responsabilidade de “dominar” tudo que foi colocado a seu cuidado (8:6-8).  No melhor dos casos, o homem nesta majestosa posição é representado no Novo Testamento como um tipo de Jesus, que em sua morte e ressurreição foi “coroado de glória e de honra” (Hebreus 2:9).

O domínio do homem sobre a natureza, contudo, maravilhoso como é, sempre fica em segundo lugar para seu chamado como servo e adorador de Deus.  O cumprimento adequado do papel de domínio do homem pode ser realizado somente quando ele reconhece sua total dependência do Criador (Atos 17:24-31).  Tal responsabilidade deveria levar, não ao orgulho, mas a um humilde reconhecimento da glória do Criador. “Ó Senhor, nosso Senhor, quão magnífico em toda a terra é o teu nome” (8:9).

Salmo 8, compilado por Spurgeon, tesouro de Davi

Podemos intitular este Salmo “o Salmo do astrónomo.”

Vers. 1. Oh Jeová, Senhor nosso, quão glorioso é o teu nome em toda a Terra! Puseste a tua glória sobre os Céus. Incapaz de expressar a glória de Deus, o Salmista profere uma exclamação: Oh Jeová, Senhor nosso! A estrutura sólida do universo apoia-se sobre o Seu braço eterno. Ele está presente universalmente, e por toda a parte o Seu nome é excelente.

Desce, se quiseres, às maiores profundidades do oceano, onde dorme a água imperturbável, e a própria areia, imóvel em quietude perene, proclama que o Senhor está ali, revelando a Sua excelência no palácio silencioso do mar. Pede emprestadas as asas da manhã e percorre os limites mais distantes do mar, e Deus está ali. Sobe aos mais altos Céus, ou lança-te ao Inferno mais profundo, e Deus é num e noutro, cantado num cântico eterno ou justificado numa vingança terrível. Por toda parte e em todo lugar, Deus reside e é manifestado na Sua obra.

Apenas podemos achar as palavras mais apropriadas como as de Neemias: «Só tu és SENHOR; tu fizeste o céu, o céu dos Céus, e todo o seu exército, a Terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto neles há, e tu os guardas com vida a todos; e o exército dos Céus te adora.»(Ne 9:6 ACF) Voltando para o versículo, leva-nos a observar que este Salmo é dirigido a Deus, porque ninguém senão o próprio Senhor pode plenamente conhecer a Sua própria glória. C. H. S.

Vers. 2. Tu ordenaste força da boca das crianças e dos que mamam, por causa dos teus inimigos. Com que frequência os meninos nos falam de um Deus ao Qual nós temos esquecido! Não proclamaram o seu «Hosana!» os meninos no Templo, quando os fariseus, orgulhosos, guardavam silêncio e mostravam desprezo? E não cita o Salvador estas mesmas palavras como justificação dos seus gritos infantis?

Fox diz-nos no seu “Livro dos mártires” que quando o Sr. Lawrence foi queimado em Colchester, depois de o levarem à fogueira numa cadeira porque por causa da crueldade dos papistas não podia sustentar-se em pé, vários meninos aproximaram-se da fogueira e gritaram, conforme eles puderam: «Senhor, fortalece o teu servo, e guarda a Tua promessa.» Deus respondeu à sua oração, porque o Sr. Lawrence morreu com uma calma e uma firmeza que qualquer um poderia desejar para si nos seus últimos momentos.

Quando um dos capelães papistas disse ao Sr. Wishart, o grande mártir escocês, que tinha dentro de si um diabo, um menino que estava perto exclamou: «Um diabo não pode dizer palavras como as que diz este homem.» Um exemplo mais o temos num período mais próximo ao nosso tempos. Num post scriptum (pós-escrito) a uma de suas cartas, na qual pormenoriza a sua perseguição quando começou a pregar em Moorfields, Whitefield diz: «Não posso pelo menos deixar de acrescentar que vários meninos e meninas que acostumavam sentar-se ao redor de mim, no púlpito, enquanto pregava, e me entregavam as repreensões que lhes davam o povo, por mais que com frequência lhes acertassem com ovos podres, fruta, lama, etc., que foram dirigidos para mim, nunca cederam e deixaram de fazê-lo; ao contrário, cada vez que me tocavam com algo, olhavam-me com os seus olhitos cheios de lágrimas, e parecia que desejavam receber os impactos que eram dirigidos a mim. Deus fez deles, nos seus anos de crescimento, grandes e vivos mártires para Ele, que «da boca dos meninos e dos que mamam aperfeiçoa o louvor!» C. H. S.

Quem são estes «meninos e meninas que mamam»? O homem em geral, que vem de um começo tão débil e pobre como são os meninos e os que mamam, contudo, acaba tendo tal poder que pode enfrentar-se e vencer ao inimigo e ao rebelde. Os apóstolos, cuja aparência externa era deplorável, em certo sentido comparável aos meninos e aos que mamam se os cotejamos com os grandes do mundo, ainda que criaturas pobres e desprezadas, eram, contudo, instrumentos principais ao serviço e glória de Deus. Portanto, é notável que quando Cristo glorificou o Seu Pai pela dispensação sábia e gratuita da Sua graça salvadora (Mateus 11:25), dissesse: «Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da Terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos.» (Mt 11:25 ACF)

Diz-se-nos: «Se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos» (Mt 18:3 ACF), etc. Como se tivesse dito: vós esforçais-vos por lugares preeminentes e pela grandeza mundana no meu reino; eu digo-vos que o meu reino é um reino de meninos, e nele não estão senão os que são humildes e os que se têm em pouca monta aos seus próprios olhos, e estão contentes sendo pequenos e desprezados aos olhos dos demais, e não procuram os grandes lugares e as coisas do mundo. Thomas Manton, 1620-1677.

A obra que se faz em amor passa a ser muitíssimo menos difícil e tediosa. É parecido com uma pedra grande, que se tentamos movê-la no ar ou sobre o chão não o conseguimos. Mas se inundarmos o campo onde se acha e a pedra fica enterrada na água, agora, uma vez inundada, achamos que aplicando a nossa força a podemos mover do seu lugar com o nosso braço. Do mesmo modo, sob as influências celestiais da graça, a maré do amor levanta-se, envolve os nossos deveres e dificuldades, e um menino pode fazer o labor de um homem, e um homem a de um gigante.Thomas Guthrie, D.D.

Não nos assombramos todos tanto da obra perfeita das mãos de Deus realizada pela formiga, este pequeno insecto que se arrasta, como da que tem feito no maior dos elefantes? Deque haja tantas partes e membros enxamblados num espaço tão pequeno? Como uma criatura tão pobre possa prover no Verão o alimento que necessitará no Inverno? Daniel Rogers, 1642.

Para fazer calar ao inimigo e ao vingador. Esta mesma confusão e rebeldia de Satanás, que foi a causa da queda do homem, foi dirigida primeiro contra Deus; portanto, a primeira promessa e a primeira pregação do evangelho a Adão que se lhe fez ao sentenciá-lo foi que a semente da mulher quebrantaria a cabeça da serpente, sendo o objectivo de Deus tanto o confundir a Satanás como o salvar ao homem. Thomas Goodwin.

Vers. 3. Quando vejo os teus Céus, obra dos teus dedos, a Lua e as estrelas que preparaste.

A mente carnal não vê a Deus em nada, nem mesmo nas coisas espirituais, nem na Sua Palavra, nem nas Seus ordenanças. A mente espiritual vê-O em tudo, inclusive nas coisas naturais, olhando os Céus e a Terra e todas as criaturas. Robert Leighton, D.D.

Se pudéssemos transladar-nos para lá da Lua, se pudéssemos alcançar as estrelas mais elevadas com a nossa cabeça, poderíamos descobrir, ao ponto, novos Céus, novas estrelas, novos sóis, novos sistemas, e possivelmente adornados de modo mais magnífico. Mas inclusive, então, os vastos domínios do nosso grande Criador não teriam terminado; para nosso assombro, veríamos que só tínhamos chegado aos inícios das obras de Deus.

Que admiráveis são os corpos celestes! Estou assombrado pelo seu esplendor, e deleito-me na sua formosura! Mas, apesar disto, por formosos e ricamente adornados que sejam, este céu carece de inteligência. Não se dá conta da sua própria formosura, enquanto tanto que eu, que sou mera argila, moldada pela mão divina, estou dotado de sentido e razão. Christopher Christian Sturm’s “Reflections”, 1750-1786.

Vers. 4. Digo: O que é o homem, para que dele te lembres, e o filho do homem, para que dele cuides? Quiçá não há seres racionais por todo o universo entre os quais o orgulho pudesse aparecer mais impróprio e incompatível que no homem, considerando a situação em que está colocado. Está exposto a numerosas degradações e calamidades, à fúria das borrascas e das tempestades, à devastação dos terremotos e dos vulcões, ao ímpeto dos torvelinhos, às ingentes ondas do oceano, aos estragos da espada, à fome, à pestilência e a toda classe de enfermidades; e no final tem de afundar-se na tumba e o seu corpo será pasto dos vermes! O mais altivo e satisfeito de si mesmo entre os filhos dos homens está submetido às mesmas vicissitudes que os mais humildes da família humana. Não obstante, até nestas circunstâncias, o homem, este débil verme de pó, cujo conhecimento é tão limitado e cujas necedades são tão numerosas e evidentes, tem o descaramento de pavonear-se na altivez do orgulho e glorificar-se na sua desvergonha.

O Dr. Chalmers, nos seus “Discursos astronómicos”, diz verdadeiramente: «Damo-lhes uma imagem débil da nossa relativa insignificância quando dizemos que o esplendor de um bosque extenso não sofreria mais pela queda de uma só folha que a glória deste extenso universo se este globo no qual nos achamos, “e tudo o que dele provém, se dissolvesse“». C. H. S.

É algo maravilhoso que Deus pense nos homens e os recorde continuamente. John Calvin, 1509-1564.

Pode uma criatura tão desprezível como eu alcançar favor aos olhos de Deus? Em Ezequiel 16:1-5, temos uma relação da maravilhosa condescendência de Deus com o homem, o qual ali é comparado a um menino de origem desprezível, abandonado no dia do seu nascimento, no seu sangue e na sua imundície, sem ainda estar envolto em faixas, de quem ninguém se compadece; criaturas lastimosas assim somos diante de Deus; e, contudo, quando Ele passou e nos viu agitando-nos no nosso sangue disse: «Vive». James Janeway, 1674.

Pergunta o profeta Isaías: «O que é o homem?», e responde: «O homem é erva. Toda a carne é erva, e toda a sua glória como flor do campo» (40:6). Pergunta David: «O que é o homem?» Responde-te: «O homem é uma mentira» (Salmo 62:9); é não só um mentiroso, um enganador, mas também «uma mentira» e um engano. A natureza pecaminosa do homem é inimizade da natureza de Deus e queria arrancar a Deus do Céu; e, apesar disso, Deus, ao mesmo tempo, está elevando o homem ao Céu; o pecado queria diminuir o grande Deus, e, apesar disso, Deus engrandece o homem pecador. Joseph Caryl.

Que é o homem? Oh a grandeza e a pequenez, a excelência e a corrupção, a majestade e a baixeza do homem! Pascal, 1623-1662.

Vers. 5. Pois pouco menor o fizeste do que os anjos. Em ordem à dignidade, o homem acha-se por debaixo dos anjos, é um pouco menos que eles; no Senhor Jesus isto também foi realizado, porque Ele foi feito um pouco menor que os anjos por causa do sofrimento da morte. C. H. S.

É uma coisa misteriosa, a que apenas nos atrevemos a aludir, que tenha aparecido um Redentor dos homens caídos, mas não dos anjos caídos. Não queríamos elaborar teorias sobre esta verdade tão terrível e inescrutável; mas não é demasiado sugerir que a intervenção em favor do homem, e a não intervenção em favor dos anjos, não nos dá base para a convicção de que os homens ocupam um lugar que não é inferior ao dos anjos no amor e na solicitude de seu Criador?

O Redentor apresenta-Se-nos como submetendo-Se a ser humilhado -«feito um pouco inferior aos anjos»- por amor ou com vistas à glória que havia de ser a recompensa dos Seus sofrimentos. Isto é uma representação importante, que deve ser considerada com a máxima atenção; e da qual podemos tirar, creio, um argumento claro e sólido em favor da divindade de Cristo.

Não poderíamos considerar que pudesse ser humildade numa criatura, fosse qual fosse a dignidade da sua condição, o facto de que assumisse o ofício de Mediador e obrasse a nossa reconciliação. Não esqueçamos a que degradação extrema um Mediador consente a ser reduzido, e através de que sofrimentos e ignomínia deve submeter-Se para poder conseguir a nossa redenção; mas tampouco esquecemos a incomensurável exaltação que foi o resultado ou recompensa deste Mediador, e que se a Escritura for certa, havia de fazê-Lo muito mais elevado que os mais altos principados e potências, e nós não podemos conhecer onde teria havido a assombrosa humildade, e a condescendência sem paralelo, se alguma mera criatura tivesse consentido em aceitar este ofício com a perspectiva de tal recompensa. Henry Melvill, B.D., 1854.

Tradução de Carlos António da Rocha

Compilação Geral de Edimilson Marinho

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